(Post Mortem, CHL/MEX/DEU, 2010)
Direção: Pablo Larraín
Elenco: Alfredo Castro, Antonia Zegers, Jaime Vadell, Amparo Noguera
Roteiro: Pablo Larraín
Duração: 98 min.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1714886/
Assista ao Trailer: YouTube
Elenco: Alfredo Castro, Antonia Zegers, Jaime Vadell, Amparo Noguera
Roteiro: Pablo Larraín
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- Tamanho: 843 MiB (AVI)
- Idioma do Audio: Espanhol
- Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
- Resolução: 720 x 272
Autópsia de Salvador Allende é recriada em Post Mortem, do diretor chileno Pablo Larraín*
O legista-chefe do instituto médico legal de Santiago do Chile faz a autópsia de um corpo com a cabeça desfigurada por um tiro de revólver. Diante dele, uma plateia de oficiais militares assiste ao processo, em busca da confirmação de um suicídio. Visivelmente transtornada, a assistente do médico recusa-se a continuar a operação; outro assistente, encarregado de anotar as conclusões do legista, atrapalha-se com a máquina de escrever elétrica e é substituído por um soldado.
É o momento em que se esclarece o momento histórico de Post Mortem, uma das atrações de hoje do Festival do Rio 2011: estamos em setembro de 1973 e o corpo estirado na fria mesa do legista é do então presidente Salvador Allende, deposto pelo golpe militar que durou até 1990. Mas o filme do chileno Pablo Larraín (Tony Manero) não é, necessariamente, político, mas uma trama de amor que tem como pano de fundo um período trágico do país.
O roteiro, também de Larraín, desenvolve-se em torno do comportamento de Mario Cornejo, o sorumbático e apolítico datilógrafo do necrotério militar, e a trágica obsessão deste pela vizinha Nancy (Antonia Zegers), uma dançarina de cabaré. Quando a família da corista desaparece depois da uma batida do exército, interrompendo seu idílio amoroso, Mário sai à procura da amada, em jornada que o obrigará a percorrer os macabros bastidores do golpe.
"Mário transita em um espaço completamente desideologizado. Não queria julgar o personagem ou dar lições de moral. Falo do caso de um sujeito profundamente apaixonado, ocorrido durante um dos momentos mais dolorosos da história do Chile", contou Larraín no Festival de Veneza de 2010, onde Post Mortem competiu pelo Leão de Ouro.
"Mostro aquela realidade sem sensacionalismos ou críticas. É o ponto de vista de alguém que não viveu aquela época. Nasci em 1976, mas aquele período me interessa, e ele é mostrado a partir de fragmentos das experiências de outros", explicou o jovem diretor de 35 anos, que produziu 4:44 Last Day on Earth, do americano Abel Ferrara, outra atração do Festival do Rio deste ano.
A história de Post Mortem foi inspirada em um personagem real, um legista que participou da autópsia de Allende. Na realidade e na ficção, os corpos dos dissidentes literalmente se amontoaram pelos corredores do hospital militar de Santiago a partir do dia 11 de setembro de 1973. A autópsia do presidente deposto nunca fora recriada em cinema.
"Para a sequência, usamos o mesmo hospital, a mesma sala, a mesma mesa de mármore, a mesma luz e os mesmos instrumentos usados no procedimento feito em Allende naquele dia", destacou o diretor. "Não pedimos autorização à família dele para fazer isso, porque Allende é uma figura pública, universal, pertence a todos nós. Tratamos do assunto com todo o respeito que ele exige, mas sei que essa sequência trará muita polêmica, especialmente entre os chilenos".
Cornejo é vivido por Alfredo Castro, protagonista do filme anterior de Larraín, o também macabro Tony Manero, sobre um sócia do personagem interpretado por John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite. O ator defendeu a perspectiva de Larraín, que usa a tensão da realidade do Chile em convulsão para justificar o comportamento algo doentio do protagonista de Post Mortem.
"O clima do Chile pós-golpe era pesado, com certeza, mas também foi entendido como um tempo de alegrias e efervescência cultural para outra parte da população, que acreditava na construção de um novo homem", lembrou Castro.
"O que causa estranheza sobre o personagem é que Mário Cornejo é um personagem fora da história, que vive longe de qualquer envolvimento político. Ele vive uma história de amor fantasiosa que, assim como a utopia do socialismo democrático no Chile, não deu certo", observou o veterano ator de teatro.
* Disponível em: http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2011/10/10/autopsia-de-salvador-allende-e-recriada-em-post-morten-do-diretor-chileno-pablo-larrain.htm

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