(Terra em Transe, BRA, 1967)
Direção: Glauber Rocha
Elenco: Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo
Roteiro: Glauber Rocha
Duração: 111 min.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0062352/
Assista ao Trailer: YouTube
Elenco: Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo
Roteiro: Glauber Rocha
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Alegoria de um tempo*
Em Terra em Transe, seu terceiro longa-metragem, Glauber Rocha assina a mais contundente resposta produzida pelo cinema brasileiro ao golpe militar de 1964. Na forma de uma alegoria política de tons épicos, situada em um país imaginário chamado Eldorado, Glauber dramatiza o ideário de direita que levou ao golpe de 64, mas sem poupar críticas à esquerda — principalmente ao arraigado populismo latino-americano.
Não há dúvidas de que a alegoria (forma de expressar um pensamento ou conceito por meio de metáforas) foi uma estratégia do Cinema Novo para sobreviver à rigorosa censura do regime militar. Mas observar Terra em Transe exclusivamente sob essa ótica seria redutor. Para Glauber, a alegoria era uma figura de linguagem autônoma, à qual ele recorria por razões antes de tudo artísticas.
Exibido na competição do Festival de Cannes de 1967, Terra em Transe apresenta um conjunto de personagens que simboliza setores da sociedade brasileira. Paulo Autran é Porfírio Diaz, figura visivelmente inspirada no político Carlos Lacerda e uma espécie de síntese da postura dos defensores do golpe militar. Paulo Gracindo é Don Júlio Fuentes, dono de um grande império da comunicação, representante da burguesia conservadora brasileira. José Lewgoy é Felipe Vieira, um governador de forte caráter populista. E Jardel Filho é Paulo Martins, o personagem central, um poeta e jornalista que encarna o grande dilema dos artistas e intelectuais da época. Como combater a ditadura militar? A luta armada é uma saída possível?
Com estratégias de encenação e de sonorização inovadoras, Glauber Rocha não permite que a alegoria reduza questões complexas à banalidade. Como poucos, o cineasta explorou a potencialidade estética e abstrata da linguagem cinematográfica: “É preciso libertar a imaginação e entender o cinema em seu plano audiovisual”, dizia.
Como explica Ismail Xavier, autor de Alegorias do subdesenvolvimento, Glauber Rocha procura demonstrar, em Terra em Transe, que “para pensar a política é preciso também pensar o campo simbólico”. Um dos aspectos mais contundentes do filme, nesse sentido, é a crítica profunda ao populismo latino-americano e à visão idealizada do “proletariado” pela esquerda. “É preciso desromantizar o povo”, disse Glauber. A “carnavalização” de cenas de sentido político também é um dos aspectos mais fortes do filme.
A fotografia — assinada por Luiz Carlos Barreto, com câmera de Dib Lutfi — aproveitava a luz existente da cena, sem a interferência de filtros. Não raro, como consequência, o branco toma conta da tela e a imagem se dissolve, “estourada” pelo excesso de luz. O tom da interpretação do elenco está muito longe do naturalismo ao qual estamos acostumados, provocando estranhamento. Apesar de utilizar os equipamentos leves que revolucionaram o cinema da época, dando imensa mobilidade à câmera, Glauber não usava o som direto, aproveitando esse “defeito técnico” para orientar seus atores enquanto a cena estava sendo rodada (já que eles dublariam suas falas em estúdio e o som seria todo recriado na pós-produção). No exato momento da filmagem, Glauber transformava a cena e extraía dos atores performances explosivas, coerentes com o tom épico de sua narrativa.
* Disponível em: http://www.programadorabrasil.org.br/programa/128/





