(Anna Karenina, GBR, 2012)
Direção: Joe Wright
Elenco: Keira Knightley, Aaron Taylor-Johnson, Jude Law, Matthew Macfadyen, Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Kelly MacDonald, Olivia Williams
Roteiro: Leon Tolstoi (romance), Tom Stoppard
Duração: 129 min.
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- Tamanho: 849 MiB (MP4)
- Idioma do Audio: Inglês
- Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
- Resolução: 1280 x 528
Ana Karenina: A mulher sob o domínio implacável da paixão*
Se o amor é tênue tecido de transparências, a paixão é sua venda escura, impermeável à luz do entendimento. O primeiro constrói em arquitetura sólida e permanente, a segunda pode destroçar, se insuperável. Antes de adúltera, o que lhe sobrou como desgraça, Ana era a mulher radiante, de admirável beleza que, com graça e desenvoltura percorria o “grand monde” czarista, onde o francês era o idioma imperial. Além dos melhores atributos da juventude, era esposa exemplar de um militar pusilânime que lhe atendia as vontades. Para conspurcar essa quietude, a paixão lhe sobreveio, como uma fonte inexorável de inebriantes renovos, para se lhe tornar o mais pesado dos sonos. Um dia, na estação de trens, a mecânica do acaso colocou-a frente ao Conde Vronski, jovem de cabelos de anjo, seguro na conquista do desejo, com olhos pungentes de um azul suave e intenso. A vertigem os aproximou, o torvelinho os uniu. Na surpreendente cena do baile, giram coreografando com os braços uma nova dança. O diretor Joe Wright atualizou Leon Tolstoi (1828/1910) fazendo um filme/teatro sem precedentes. Por trás da narrativa de ritmo calmo e detalhada está a grande questão moral: podem as convenções sociais determinar que o homem abdique da felicidade, à qual está destinado por natureza. Deve conformar-se aos fins prescritos pela norma social? Acorrentados pelos desmandos da paixão, Ana e Vronski alimentam-se no gozo no próprio veneno, ignorando o ajuizamento dos costumes. Grávida, confessa ao marido que se torna modo de chacota. É banida das rodas sociais por punitivos olhares de perfil. Pior para Vronski que se imiscuiu em matrimônio alheio. Se divorciada, jamais refará um casamento, não mais verá o filho e será mãe de uma bastarda, uma degenerada social. Enquanto o fermento da revolução incha as massas populares, Ana está enferma de ciúme, vendo o resultado de sua coragem transformar-se em incurável infecção pública e, na mesma estação de trens onde encontrou seu destino, atira-se nos trilhos.
* Disponível em: http://www.gazeta.inf.br/2013/03/07/ana-karenina-a-mulher-sob-o-dominio-implacavel-da-paixao/

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