segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crítica: Indomável Sonhadora

Por Inácio Araújo para a Folha de S. Paulo, 22/2/2013.
(Beasts of the Southern Wild, USA, 2012)

Drama, Fantasia
Direção: Benh Zeitlin
ElencoQuvenzhané Wallis, Dwight Henry, Jonshel Alexander, Kaliana Brower
Roteiro: Lucy Alibar (peça), Benh Zeitlin
Duração: 93 min.








IMDb: http://www.imdb.com/title/tt2125435/
Assista ao Trailer: YouTube

[BluRay-RiP 720p] - Download
  • Tamanho: 978 MiB (MP4) 
  • Idioma do Audio: Inglês
  • Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
  • Resolução: 1280 x 696


Com história de sobrevivência, Indomável Sonhadora foge do sentimentalismo*

Como quase sempre que a figura infantil é dominante, Indomável Sonhadora tende a comover o espectador. Mas é aí também que busca sua originalidade. Não há lágrimas a correr ou muitos momentos a lamentar: trata-se de uma história de sobrevivência.
Sendo também um filme independente, há umas tantas chagas sociais a ocupar a vida da pequena Hushpuppy.
O pai alcoólatra é a mais evidente, mas há ainda a ausência da mãe e o lugar onde vivem, o Bathtub, a banheira, uma pobre, deslocada e resistente comunidade sulista.
O pai de Hushpuppy, Wink, é talvez o personagem mais interessante dessa saga, embora um tanto previsível: aquele sujeito fora dos padrões, vinculado tanto à natureza como a um modo de vida que se poderia chamar de primitivo (miserável é outra designação possível).
Ele ensina a filha a viver e a resistir às adversidades, que são muitas, e a proteger o Bathtub das investidas da sociedade organizada (que quer dar um fim naquela comunidade).
Ambígua figura, Wink é um alcoólatra (como todos os homens que vivem nos casebres próximos) capaz de dar belos conselhos à filha e depois botar tudo por água abaixo. Isso quando a própria natureza não leva tudo água abaixo.

Água com Açúcar

Talvez o objetivo da distribuidora brasileira, ao dar esse nome um pouco água com açúcar ao filme (em contraste com o original: algo como "Bestas do Sul Selvagem"), fosse mesmo enfatizar a presença infantil com o uso da palavra "sonhadora".
O fato é que Hushpuppy não tem nada de sonhadora ou contemplativa: é voltada a um ou dois objetivos concretos (reencontrar a mãe, sobreviver), e nisso coloca toda sua força, temperando a incerta sabedoria transmitida pelo pai com o bom senso pessoal para enfrentar a adversidade.
Há um tanto de crise, um tanto de miséria, um quê de ignorância em tudo isso: trata-se de um filme da crise, se se quiser. E da perseverança como modo de enfrentamento.
Essa perseverança é o que se estampa no rosto infantil de Hushpuppy, junto com a observação atenta, curiosa e um tanto indefesa do mundo. Esse rosto em busca de soluções, enfim, é a imagem central que domina o filme.
O rosto da menina é, no mais, a paisagem mais definida, mais nítida no trabalho do estreante Benh Zeitlin, de interesse, no mais, um tanto desigual, onde o que tem de melhor vem da secura do tom, do abandono desse "fake realismo" do cinema independente americano.
Os prêmios que vem recebendo a jovem Quvenzhané Wallis parecem evocar uma nova Shirley Temple.
Ela aparece muito bem no filme e cria essa ideia mista de doçura e dureza que ajuda na força do filme. Mas tanta atenção a alguém tão jovem cria expectativas que raramente se cumprem; com frequência só serve para criar monstros. Que importa? O mundo dos espetáculos os adora.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1234505-critica-com-historia-de-sobrevivencia-indomavel-sonhadora-foge-do-sentimentalismo.shtml

Nenhum comentário:

Postar um comentário