quinta-feira, 6 de junho de 2013

Crítica: Amor

Por Jorge Anthonio para A Gazeta do Iguaçu, 9/2/2013.
(Amour, AUT/DEU/GBR/FRA, 2012)

Drama, Romance
DireçãoMichael Haneke
Elenco: 
Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert,  Alexandre Tharaud, William Shimell
RoteiroMichael Haneke
Duração: 127 min.









IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1602620/
Assista ao Trailer: YouTube

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  • Tamanho: 849 MiB (MKV) 
  • Idioma do Audio: Francês
  • Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
  • Resolução: 1280 x 688

Amor… Cinema, sensibilidade e saber*

De todos os sentimentos, o amor é o mais incensado pelo homem. Identifica o sujeito generoso da auto doação, capaz de se construir com ânimo saudável, ainda que na plenitude da alteridade circundante. O amor é obediente, educativo, objeto de afeição profunda, física e metafisicamente. É a matéria prima do filme de Michael Hanecke, cuja câmara delicada registra a trágica e suave velhice dos experientes Jean-Louis Trintignant (Georges) e Emmanuelle Riva (Anne). Ambos, com mais de oitenta anos, atuam com outra estrela coadjuvante desse drama íntimo e universal, a morte, com quem um amor claudicante, tenta dialogar em desvantagem. Na velhice em estado puro, o casal em sóbria solidão, mantém uma dignidade serena, aprendida esteticamente com a música, da qual foram professores. Esperam pelo inexorável de todos, quando a vida a ela apressa, quando é acometida de uma paralisia física crescente. Que ânimo os consola, senão a entrega piedosa dele para com a mulher? Os instintos sexuais amainados, o desaparecimento progressivo do desejo e a doença minam a coragem para o próximo passo de ambos. Sem indagações e com uma só certeza, o espírito silencia e a morte vai assumindo o primeiro papel, em evidências aterradoras, calmas e, nos dias intermináveis, o corpo decai. Nada mais tem o filme, além desse discurso pavoroso. Que amor é capaz de assistir impune ao espetáculo dantesco da dor de quem tanto se quer? É o amor da coragem, aquele capaz de antecipar a morte como recurso de libertação. Evitando o melodrama, Hanecke optou por um final poético, sem lirismo e cheio de dúvidas que fazem a obra crescer em indagações. Morte como resignação, morte como piedade e entendimento, cumpre o destino de sua prescrição e a realidade volta a se acalmar. As portas do amplo apartamento parisiense estão, finalmente, tristes mas abertas para que venha o outro com sua cruz abafada. Só o amor, o único trunfo humano, pode validar a morte.

Disponível em: http://www.gazeta.inf.br/2013/02/09/%E2%80%9Camor%E2%80%9D-cinema-sensibilidade-e-saber/

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