(Eyes Wide Shut, GBR, EUA, 1999)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Madison Eginton, Jackie Sawiris, Sydney Pollack, Leslie Lowe, Peter Benson, Todd Field
Roteiro: Stanley Kubrick, Frederic Raphael
Duração: 159 min.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0120663/
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Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Madison Eginton, Jackie Sawiris, Sydney Pollack, Leslie Lowe, Peter Benson, Todd Field
Roteiro: Stanley Kubrick, Frederic Raphael
Duração: 159 min.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0120663/
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- Tamanho: 702 MiB (MP4)
- Idioma do Audio: Inglês
- Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
- Resolução: 1280 x 720
De olhos bem fechados*
A única forma de entendimento dessa obra estranha e enigmática ocorre pelo viés psicológico dos personagens. O relacionamento de um jovem, bem sucedido e belo casal americano chegou a suspeita da indiferença. Talvez, para puni-lo, para resgatá-lo, ou para testá-lo, a mulher (Nicole Kidman) confessa uma traição que lhe teria ocorrido em pensamento, quando da simples visão de um jovem em uma festa.
Por ele, diz, abandonaria tudo, mais a família. Essa constatação dilacera o marido (Tom Cruise) que passa a viver o tormento de projeções mentais recorrentes, pelas quais corporifica a traição, imaginado em minúcias o suposto ato sexual da mulher. De tradicional e ético marido, torna-se objeto de desejos compulsivos, obcecado pela suposta quebra de fidelidade empenhada no casamento, já indiferentemente posto a aprova pelos dois, na exuberante vida social comum e em festas de alto teor sensualista.
Não à toa, o filme baseou-se na obra Die Traumnovelle (1926), do escritor e médico austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931), cujos trabalhos em psicologia resultaram no conceito de “fluxo e consciência”, um misto de monólogo interior, uma fala intrapessoal, sobre a qual transitam percepções e avivamentos sobre a realidade. Esta é a pedra de toque na realização do cultuado Kubrick. Entre a petição e lei moral imperam na leitura do outro, a desconfiança, o medo da perda, a insegurança quanto aos afetos recebidos, a dúvida sobre os próprios desejos inconclusos, e a vacuidade sobre a certeza de ser desejado por ela.
Ele embarca em um percurso projetivo misterioso, representado por uma inquietante orgia, como se estivesse mergulhado no inconsciente, seu espaço ritualístico de festa, libações, perigo e mistério. O sexo é mero acaso situado além da moral, que nunca se consuma para o personagem. É uma atividade mental do voyeur em sua jornada por símbolos e máscaras, secundados por surpreendentes efeitos sonoros de Jocelyn Pook. Até o retorno para casa, onde a realidade, o cotidiano e o natal o esperam.
* Disponível em: http://www.gazeta.inf.br/2013/05/23/de-olhos-bem-fechados/

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