(Taxi Driver, USA, 1976)
Drama, Suspense
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Robert De Niro, Jodie Foster, Cybill Shepherd, Hervey Keitel, Martin Scorsese, Peter Boyle, Albert Brooks, Leonard Harris, Victor Argo
Roteiro: Paul Schrader
Duração: 113 min.
Elenco: Robert De Niro, Jodie Foster, Cybill Shepherd, Hervey Keitel, Martin Scorsese, Peter Boyle, Albert Brooks, Leonard Harris, Victor Argo
Roteiro: Paul Schrader
Duração: 113 min.
[BluRay-RiP 720p] - Download
- Tamanho: 799 MiB (MP4)
- Idioma do Audio: Inglês
- Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
- Resolução: 1280 x 720
De Niro Vai ao Inferno em Taxi Driver*
Taxi Driver não só é um dos filmes mais importantes dos anos 70, como é um dos que menos envelheceram desde então. Ao contrário: o progressivo enlouquecimento da América nas décadas seguintes, com seus psicopatas, justiceiros, skinheads e serial killers, tornou-o ainda mais atual, para não dizer profético.
Toda essa história urbana recente está condensada na trajetória de Travis Bickle (Robert De Niro), ex-combatente no Vietnã que ocupa suas noites de insônia dirigindo um táxi pelas ruas mais sujas e perigosas de Nova York. Pelos olhos de Travis, a cidade é uma espécie de Sodoma moderna, habitada pela pior escória da humanidade. "Há de vir uma chuva de verdade para lavar toda essa sujeira", diz ele.
O tom de profecia bíblica da frase condiz com a atmosfera geral do filme. Desde as primeiras imagens - um táxi emergindo das trevas, um avesso anjo exterminador. Como em quase todos os filmes do católico Scorsese - principalmente os escritos pelo protestante Paul Schrader, como este -, Taxi Driver conta a história de um homem que desce aos infernos e alcança depois a redenção.
Mas o mais admirável neste filme é que Travis Bickle pode ser tudo isso, mas não deixa de ser também um cretino atordoado e embrutecido por uma sociedade doente. Não tem nada a ver com a truculência heroica e triunfante dos justiceiros à Charles Bronson.
Do mesmo modo, a linguagem do filme mantém o equilíbrio entre estilização e um naturalismo quase documental, entre a concentração dramática no protagonista e a dispersão em vários temas acessórios: o da assessora política (Cybill Sheperd) por quem Travis se apaixona, o da prostituta (Jodie Foster) que ele quer salvar, o do candidato a presidente etc.
A tensão cresce à medida que as vias de fuga ao desespero de Travis vão se fechando uma a uma: o amor (a assessora rejeita), a amizade (os colegas não compreendem sua angústia), a política (o candidato só quer usá-lo).
Quanto ao virtuosismo do diretor, note-se que, nas cenas de rua, a câmera está em todos os pontos possíveis do táxi, do retrovisor ao pará-choque, dependendo da necessidade narrativa ou dramática. O mundo é visto em movimento contínuo dessa jaula ambulante.
Há uma cena de absoluta adequação da imagem àquilo que se quer expressar. Em sua perturbação crescente, Travis está a ponto de saltar a fronteira entre o comportamento cotidiano e a fúria homicida. Esse limiar é expresso de maneira simples e poderosa: ele está assistindo a um melodrama rotineiro na TV; com a cadeira inclinada para trás, toca um pé no aparelho e o balança; o balanço torna-se aos poucos mais forte, até que a TV cai e se espatifa com um estrondo. Está dado o salto.
Este filme admirável marca ainda estréia de Jodie Foster e a despedida do compositor Bernard Herrmann (1911-75), que fez a trilha mas não viu o filme pronto. Só o ex-colaborador de Welles e Hitchcock poderia compor uma música que passa da melancolia ao suspense com a mesma fluência que o cinema de Scorsese.
* In: LABAKI, Amir (org.). Folha conta 100 anos de cinema. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1995.
Taxi Driver não só é um dos filmes mais importantes dos anos 70, como é um dos que menos envelheceram desde então. Ao contrário: o progressivo enlouquecimento da América nas décadas seguintes, com seus psicopatas, justiceiros, skinheads e serial killers, tornou-o ainda mais atual, para não dizer profético.
Toda essa história urbana recente está condensada na trajetória de Travis Bickle (Robert De Niro), ex-combatente no Vietnã que ocupa suas noites de insônia dirigindo um táxi pelas ruas mais sujas e perigosas de Nova York. Pelos olhos de Travis, a cidade é uma espécie de Sodoma moderna, habitada pela pior escória da humanidade. "Há de vir uma chuva de verdade para lavar toda essa sujeira", diz ele.
O tom de profecia bíblica da frase condiz com a atmosfera geral do filme. Desde as primeiras imagens - um táxi emergindo das trevas, um avesso anjo exterminador. Como em quase todos os filmes do católico Scorsese - principalmente os escritos pelo protestante Paul Schrader, como este -, Taxi Driver conta a história de um homem que desce aos infernos e alcança depois a redenção.
Mas o mais admirável neste filme é que Travis Bickle pode ser tudo isso, mas não deixa de ser também um cretino atordoado e embrutecido por uma sociedade doente. Não tem nada a ver com a truculência heroica e triunfante dos justiceiros à Charles Bronson.
Do mesmo modo, a linguagem do filme mantém o equilíbrio entre estilização e um naturalismo quase documental, entre a concentração dramática no protagonista e a dispersão em vários temas acessórios: o da assessora política (Cybill Sheperd) por quem Travis se apaixona, o da prostituta (Jodie Foster) que ele quer salvar, o do candidato a presidente etc.
A tensão cresce à medida que as vias de fuga ao desespero de Travis vão se fechando uma a uma: o amor (a assessora rejeita), a amizade (os colegas não compreendem sua angústia), a política (o candidato só quer usá-lo).
Quanto ao virtuosismo do diretor, note-se que, nas cenas de rua, a câmera está em todos os pontos possíveis do táxi, do retrovisor ao pará-choque, dependendo da necessidade narrativa ou dramática. O mundo é visto em movimento contínuo dessa jaula ambulante.
Há uma cena de absoluta adequação da imagem àquilo que se quer expressar. Em sua perturbação crescente, Travis está a ponto de saltar a fronteira entre o comportamento cotidiano e a fúria homicida. Esse limiar é expresso de maneira simples e poderosa: ele está assistindo a um melodrama rotineiro na TV; com a cadeira inclinada para trás, toca um pé no aparelho e o balança; o balanço torna-se aos poucos mais forte, até que a TV cai e se espatifa com um estrondo. Está dado o salto.
Este filme admirável marca ainda estréia de Jodie Foster e a despedida do compositor Bernard Herrmann (1911-75), que fez a trilha mas não viu o filme pronto. Só o ex-colaborador de Welles e Hitchcock poderia compor uma música que passa da melancolia ao suspense com a mesma fluência que o cinema de Scorsese.
* In: LABAKI, Amir (org.). Folha conta 100 anos de cinema. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1995.

Nenhum comentário:
Postar um comentário