(The Circus, USA, 1928)
Comédia, Drama, Romance
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Al Ernest Garcia, Merna Kennedy, Harry Crockers
Roteiro: Charles Chaplin
Duração: 71 min.
Elenco: Charles Chaplin, Al Ernest Garcia, Merna Kennedy, Harry Crockers
Roteiro: Charles Chaplin
Duração: 71 min.
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- Tamanho: 501 MiB (MP4)
- Idioma do Audio: Inglês
- Legendas: Anexa ao Post (PT-BR)
- Resolução: 960 x 720
Charles Chaplin exercita o imprevisto em O Circo*
Charlie Chaplin sabia ser irritante. Quem revê hoje em dia Luzes da Ribalta sabe o que pode acontecer quando o palhaço resolve fazer chorar. Tudo chora: a música, a platéia, o personagem. Talvez exista em O Circo uma centelha de Calvero, o palhaço triste, mas ela não domina os acontecimentos.
Chaplin não se esquivava do melodramático, o que pode ser uma vantagem. Em seu cinema há lugar tanto para o riso como para o choro, para bondades infinitas e perversidades insuperáveis. A riqueza de seu cinema não se resume a isso, mas passa por aí.
A gama de sentimentos abarcada por Carlitos, seu personagem-chave, é tão ampla quanto sua capacidade de variar de tom. Em O Circo existe o que pode haver de mais trágico: um palhaço que não faz rir.
Não é Chaplin. Este faz rir tanto involuntariamente como de propósito. Como evitar o riso diante de uma mímica que parece desafiar todas as forças instituídas, os poderes do mundo?
Mas nem por isso o vagabundo deixará de ser o mais infeliz dos seres, como demonstra a patética cena final. O Circo permanece um desses filmes que quase setenta anos depois de ser feito pode ser visto com paixão pelas crianças e com entusiasmo pelos adultos.
Chaplin faz uma homenagem ao circo, ao mesmo tempo em que exercita a arte do inesperado inscrito no esperado: o gesto que arrebata é econômico, seco - definitivo, pode-se dizer. Chaplin era um gênio. O Circo é uma das expressões dessa genialidade.
* In: LABAKI, Amir (org.). Folha conta 100 anos de cinema. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1995.
Charlie Chaplin sabia ser irritante. Quem revê hoje em dia Luzes da Ribalta sabe o que pode acontecer quando o palhaço resolve fazer chorar. Tudo chora: a música, a platéia, o personagem. Talvez exista em O Circo uma centelha de Calvero, o palhaço triste, mas ela não domina os acontecimentos.
Chaplin não se esquivava do melodramático, o que pode ser uma vantagem. Em seu cinema há lugar tanto para o riso como para o choro, para bondades infinitas e perversidades insuperáveis. A riqueza de seu cinema não se resume a isso, mas passa por aí.
A gama de sentimentos abarcada por Carlitos, seu personagem-chave, é tão ampla quanto sua capacidade de variar de tom. Em O Circo existe o que pode haver de mais trágico: um palhaço que não faz rir.
Não é Chaplin. Este faz rir tanto involuntariamente como de propósito. Como evitar o riso diante de uma mímica que parece desafiar todas as forças instituídas, os poderes do mundo?
Mas nem por isso o vagabundo deixará de ser o mais infeliz dos seres, como demonstra a patética cena final. O Circo permanece um desses filmes que quase setenta anos depois de ser feito pode ser visto com paixão pelas crianças e com entusiasmo pelos adultos.
Chaplin faz uma homenagem ao circo, ao mesmo tempo em que exercita a arte do inesperado inscrito no esperado: o gesto que arrebata é econômico, seco - definitivo, pode-se dizer. Chaplin era um gênio. O Circo é uma das expressões dessa genialidade.
* In: LABAKI, Amir (org.). Folha conta 100 anos de cinema. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1995.

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